A crise silenciosa que afecta a Electricidade de Moçambique e ameaça o futuro energético do país
A Electricidade de Moçambique (EDM) enfrenta uma das fases mais críticas dos últimos anos. A empresa, responsável por distribuir energia eléctrica para milhões de consumidores, está a lidar com um problema que, embora conhecido, torna-se cada vez mais insustentável: as instituições públicas lideram a lista dos maiores devedores da EDM em todo o país.
Segundo o administrador executivo da empresa, Alberto Banze, a situação não só compromete o equilíbrio financeiro da instituição, como também trava a capacidade de investimento necessária para expandir e modernizar a rede de distribuição.
Gabinetes de governadores, secretarias, direcções provinciais, sectores da Educação e da Saúde, postos administrativos e até empresas de abastecimento de água estão entre os principais devedores. A lista é longa e revela um problema estrutural que exige resposta urgente.

1. A DÍVIDA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS: UM PESO QUE PARALISA A EDM
De acordo com informações avançadas à Miramar, o administrador executivo da EDM explicou que, se todas as dívidas fossem liquidadas, a empresa poderia investir mais em expansão, modernização e manutenção da rede, beneficiando directamente os consumidores.
No entanto, a realidade é diferente: a dívida acumulada das instituições públicas representa um entrave grave — não apenas financeiro, mas também operacional e estratégico.
1.1. Quem são os principais devedores?
Entre os maiores responsáveis pelo rombo financeiro aparecem:
- Gabinetes de governadores;
- Secretarias provinciais e distritais;
- Direcções da Educação;
- Direcções provinciais da Saúde;
- Postos administrativos;
- Empresas de água e saneamento;
- Autarquias locais
A ironia é evidente: os mesmos sectores que dependem fortemente de energia para funcionar são também os que mais comprometem o fluxo financeiro da EDM.
1.2. O impacto directo da dívida
A EDM enfrenta limitações sérias como:
Redução na capacidade de manutenção das infra-estruturas eléctricas;
Menor investimento em projectos de extensão da rede para zonas rurais;
Dificuldades na aquisição de equipamentos modernos, essenciais para reduzir quedas de energia;
Limitação na implementação de sistemas automáticos que minimizam falhas.
Segundo autoridade da empresa, a inadimplência pública mina a qualidade do serviço. A população exige melhores serviços, mas os recursos não chegam devido ao bloqueio financeiro.
2. VANDALIZAÇÃO, FURTOS E LIGAÇÕES CLANDESTINAS: O OUTRO LADO DA CRISE
Além da dívida institucional, a EDM enfrenta outro desafio que tem ganhado proporções alarmantes: a vandalização de equipamentos e as ligações clandestinas.
2.1. As perdas financeiras são gigantescas
Os números revelados são preocupantes:
Mais de 100 milhões de dólares perdidos apenas com ligações clandestinas;
Mais de 20 milhões de meticais gastos com reposição de infra-estruturas vandalizadas apenas no último ano.
Estes valores representam perdas directas que poderiam ser investidas em electrificação rural, melhoria de cabos, substituição de postes obsoletos e reforço na segurança da rede.

2.2. Como funcionam as ligações clandestinas?
As ligações ilegais são feitas principalmente em:
- Bairros suburbanos;
- Zonas rurais próximas a subestações;
- Áreas onde a fiscalização é escassa.
Os métodos utilizados incluem:
- Conexão directa aos cabos de alta ou baixa tensão;
- Manipulação de contadores;
- Instalação de ramificações sem autorização.

Estas ligações representam risco não apenas para a rede eléctrica, mas para a vida das próprias comunidades. Choques eléctricos, incêndios e sobrecargas são consequências comuns.