A província de Gaza acaba de dar um passo estratégico rumo ao fortalecimento da segurança alimentar e ao desenvolvimento agroindustrial de Moçambique. Pela primeira vez, a região prepara-se para produzir e processar trigo em escala industrial, com capacidade para abastecer o mercado nacional e, futuramente, competir no mercado internacional.
Segundo informações confirmadas pelas autoridades do Regadio do Baixo Limpopo (RBL), em Xai-Xai, os ensaios agrícolas foram concluídos com resultados considerados “altamente satisfatórios”, abrindo caminho para a entrada de Gaza na rota da produção desta cultura de rendimento.
Produção em Expansão: Resultados que Abrem Portas

O projecto piloto foi implementado numa área de 150 hectares, onde foi produzida semente certificada de trigo. Esta iniciativa é fruto de uma parceria entre o Governo moçambicano e a empresa chinesa Wambao, que apoia tecnicamente o desenvolvimento da cultura no perímetro irrigado.
A coordenadora da Unidade de Gestão do RBL, Isabel Sitoe, destacou que o ensaio permitiu medir, com precisão, o potencial de produção por hectare:
“Os resultados apontam para um rendimento de até quatro toneladas por hectare, números encorajadores e que atendem plenamente às exigências comerciais.”
Além disso, a produção local reduz a dependência de importações e cria oportunidades para agricultores, jovens e empreendedores da região sul.
Transferência de Tecnologia e Expansão Industrial
A empresa Wambao terá um papel crucial na fase seguinte do projecto. Segundo Sitoe, a empresa chinesa irá:
- Trabalhar diretamente com agricultores locais do perímetro irrigado;
- Transferir tecnologia agrícola avançada para melhorar técnicas de cultivo;
- Instalar uma linha de processamento industrial de trigo na sua unidade fabril.
Essa fábrica permitirá que Gaza não seja apenas produtora, mas também processadora, fortalecendo a cadeia de valor e aumentando a competitividade do produto “Made in Mozambique”.
Impacto Económico e Potencial Futuro
Com a produção e o processamento local, Moçambique abre portas para:
Redução das importações de trigo
Criação de novos postos de trabalho
Estímulo ao agronegócio
Exportação para mercados regionais e internacionais
O projecto também abre margem para que jovens agricultores integrem cadeias de produção modernas, construindo um novo perfil de agroempreendedorismo no país.