Autoridades Provinciais Reforçam Exigência de Legalidade na Atuação de Organizações Não Governamentais em Angola
Bengo, Angola — O Governo Provincial do Bengo anunciou, na terça-feira, dia 16, a suspensão imediata de todas as atividades desenvolvidas pela ONG Zuzu for África em toda a extensão da província. A decisão foi tomada após as autoridades constatarem que a organização não possui situação jurídica regularizada para atuar legalmente em território angolano.
A medida, comunicada através de uma nota oficial, surge no âmbito do reforço do controlo institucional sobre a atuação de organizações não governamentais, especialmente aquelas envolvidas em ações filantrópicas e sociais junto das comunidades locais.
Atuação Identificada no Município do Panguila

Segundo o comunicado do Governo Provincial, as autoridades tomaram conhecimento da atuação da ONG Zuzu for África no município do Panguila, mais concretamente na localidade das Burgalheiras. A presença da organização naquela área despertou a atenção da Administração Municipal, que, em coordenação com outros órgãos do Estado, iniciou diligências para averiguar a legalidade das suas atividades.
Durante o processo de verificação, foi apurado que a ONG não dispõe de autorização legal emitida pelas entidades competentes para desenvolver ações de caráter filantrópico, social ou humanitário em Angola.
Falta de Enquadramento Jurídico em Angola
De acordo com as leis angolanas, qualquer organização não governamental — nacional ou estrangeira — deve cumprir um conjunto rigoroso de requisitos legais antes de iniciar atividades no país. Esses requisitos incluem:
- Registo oficial junto dos órgãos competentes;
- Reconhecimento jurídico pelo Estado angolano;
- Autorização para atuação em áreas sociais específicas;
- Transparência na origem e destino dos fundos;
- Respeito pelas normas administrativas e comunitárias
No caso da Zuzu for África, as autoridades concluíram que nenhum desses pressupostos legais estava devidamente cumprido, o que inviabiliza, por completo, a continuação das suas ações na província do Bengo.
Posição Oficial do Governo Provincial do Bengo

No documento tornado público, o Governo Provincial foi claro ao afirmar que não se opõe a iniciativas solidárias, doações ou ações de apoio social. Pelo contrário, as autoridades sublinham que Angola continua aberta à colaboração com organizações que tenham como objetivo o bem-estar das comunidades.
No entanto, o comunicado reforça que todas as ações devem ocorrer dentro da legalidade, respeitando a dignidade humana, as instituições do Estado e a ordem pública.
“O Governo Provincial do Bengo apoia iniciativas solidárias e de doação, desde que estejam legalmente autorizadas e não coloquem em causa a dignidade das comunidades nem a ordem institucional”, lê-se na nota oficial.
Suspensão Até Regularização Completa

Como consequência direta das irregularidades identificadas, foi determinada a suspensão total das atividades da ONG Zuzu for África em toda a província do Bengo. A medida terá caráter temporário, mantendo-se em vigor até que a organização regularize a sua situação jurídica junto das autoridades angolanas competentes.
Enquanto isso não acontecer, a ONG permanece legalmente impedida de realizar qualquer tipo de ação, evento, campanha ou intervenção social no território provincial.
Reforço da Soberania e da Ordem Institucional
A decisão do Governo Provincial do Bengo insere-se num contexto mais amplo de reforço da soberania do Estado angolano, sobretudo no que diz respeito à atuação de entidades estrangeiras ou não devidamente registadas.
Nos últimos anos, Angola tem vindo a intensificar o controlo sobre ONGs e associações, com o objetivo de:
- Garantir transparência nas ações sociais
- Evitar abusos ou exploração de comunidades vulneráveis
- Assegurar que as doações cheguem efetivamente aos beneficiários
- Proteger a imagem institucional do país
Especialistas em administração pública defendem que a presença de organizações sem enquadramento legal pode gerar conflitos institucionais, desinformação e até riscos sociais, sobretudo em zonas sensíveis.
Impacto nas Comunidades Locais

A suspensão das atividades da Zuzu for África levanta também preocupações nas comunidades onde a organização vinha atuando. Em locais como as Burgalheiras, algumas famílias beneficiavam de ações pontuais de apoio social.
No entanto, as autoridades esclarecem que a proteção das comunidades passa também pelo respeito às leis, garantindo que qualquer ajuda prestada seja feita de forma responsável, coordenada e supervisionada pelo Estado.
Organizações legalizadas continuam autorizadas a atuar, desde que cumpram os procedimentos estabelecidos e trabalhem em parceria com as administrações locais.
ONGs e o Papel da Legalidade em Angola
O caso da Zuzu for África serve como alerta para outras organizações, nacionais e internacionais, que pretendem atuar em Angola. O cumprimento da legislação não é apenas uma formalidade burocrática, mas uma condição essencial para:
- Credibilidade institucional
- Sustentabilidade das ações sociais
- Proteção das populações-alvo
- Cooperação eficaz com o Estado
O Governo reforça que está disponível para orientar e acompanhar processos de legalização, desde que haja boa-fé, transparência e respeito pelas normas vigentes.
Possíveis Próximos Passos da Zuzu for África

Até ao momento, a ONG Zuzu for África não tornou pública uma reação oficial à decisão do Governo Provincial do Bengo. Caso pretenda retomar as suas atividades, a organização deverá:
1. Regularizar o seu estatuto jurídico em Angola
2. Solicitar autorização formal para atuar
3. Apresentar planos de ação claros e transparentes
4. Cooperar com as autoridades locais
Somente após o cumprimento destes passos é que poderá ser avaliada a possibilidade de levantamento da suspensão.